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China – Planejamento

Esse blog é só para compartilhar meus relatos de viagem.
Para começar vou falar da minha viagem à China em fevereiro de 2012. Como não encontrei pela net muita gente contanto suas aventuras de viagem para China (pelo menos não em português), principalmente para o Tibet (um dos meus principais destinos) resolvi contar aqui algumas das experiências que passei e se possível dar dicas pra quem pretende fazer uma viagem parecida.
Então vamos ao planejamento da viagem…

Rua perto da escola que meu pai estudou

Bom, meu pai é chinês, nasceu em Hong Kong (HK) e veio para o Brasil com 10 anos e nunca mais voltou pra lá, depois de muito ensaiar decidimos fazer uma viagem para a terra natal dele, eu, ele e meu irmão mais novo. Nos planejamentos da viagem à HK era claro que iríamos aproveitar e dar uma passada na China continental. Meu pai influenciado por um documentário do Netgeo disse que queria ir para o Tibet de trem, passar pela ferrovia mais alta do mundo finalizada pelos chineses em 2007. Pois bem, toca eu procurar como fazer pra chegar lá…
Achei o site da própria ferrovia, em inglês mas um tanto escasso de informações úteis para um estrangeiro que quisesse viajar pra lá. Depois troquei alguns emails com um amigo alemão de um amigo meu. E foi ai q eu descobri q não é possível viajar para o Tibet sem uma agência de turismo, pelo menos pra conseguir a permissão de entrada você precisa de uma agência.

Viagem de trem até Lhasa, Tibet.

Eu só pego agência quando é complicado viajar de forma independente ou quando meu pai viaja junto porque ele gosta de excursões, agências e resorts. Então, comecei a procurar por agências na China ou em HK que vendessem um pacote com o roteiro que eu queria. Uma tia me sugeriu que pacotes comprados na China saem mais em comta que pacotes comprados aqui no Brasil.
Achei várias agências, mandei email para quase todas que encontrei, recebi resposta da maioria e acabei optando pelo seguinte roteiro da Wind Horse tour: 12 dias tour de trem por Beijing, Xi’an, Lhasa, Lago Yamdrok e Chengdu. Provavelmente no site você nao vai encontrar exatamente esse roteiro pois eu pedi pra incluir Chengdu para ver a reserva dos pandas, o roteiro original terminava em Lhasa.
Paguei 50% desse pacote via pay pal mais ou menos 2 semanas antes de embarcar para HK. Passamos 1 semana em HK antes de embarcarmos para a China.
HK não é necessário visto, mas a China sim e o Tibet ainda precisa de uma permissão especial para entrar lá. É necessário o visto da China para conseguir essa permissão e só quem consegue são as agências.
Visto pra China me disseram que era super fácil antigamente (sei lá, acho que até o primeiro semestre de 2011) mas agora eles pedem mais coisas que além do formulário preenchido, foto e o passaporte. Quando eu cheguei no consulado os documentos a mais que eles pediam não constavam no site e voltei pra casa sem conseguir nada. Dei uma reclamada de leve com a moça que me atendeu e no dia seguinte eles atualizaram o site, teria sido coincidência?
Bom, voltei lá com todos os documentos que eles pediram, só não tinha os vouchers do hotel, que segundo a agência que contactei não teria como me enviar no meu nome, seriam no nome da própria agência e que só o contrato do pacote já seria suficiente. Lá na hora de ver os documentos a moça perguntou sobre esses vouchers, dei a mesma justificativa que o cara da agência, ela disse que as pessoas levavam o voucher mesmo assim e não falou mais nada, me deu o protocolo para pagar o visto e pegar no dia seguinte (eu paguei uma taxa extra para pegar o visto no dia seguinte).
Com o visto em mãos mandei scaneado para a agência na China para providenciar a permissão para o Tibet e quando eu cheguei em HK eu já tinha uma cópia no meu email.
Então, para viajar para o Tibet você precisa de uma agência para conseguir uma permissão para você entrar lá. Em alguns sites e guias eu li que você não necessariamente vai precisar comprar um pacote deles, mas precisa deles para conseguir essa permissão especial. Como eu já queria um pacote mesmo já comprei tudo.
Esse pacote incluia a estadia em todos os destinos, guia, van, motorista, translados de aeroporto/ estação de trem até o hotel e vice-versa, entrada para as atrações, tickets de trem e o bilhete aéreo de Lhasa-Chengdu e de Chengdu-HK. Acho que isso… Não posso dizer que saiu barato, mas os serviço deles foi impecável e todos os hotéis bons, tirando o hotel de Lhasa que deixou um pouco a desejar. As vans eram ótimas e enormes, pedi para que os motoristas e guias não fumassem dentro da van já na negociação por e-mail com a agência e eles atenderam super bem. E as trocas de emails daqui do Brasil foram super ágeis, mesmo e apesar do fuso horário gigante e o ano novo chinês rolando por lá.
Teve apenas um quase incoveniente. Quando estávamos em Beijing o agente de viagem que me atendeu o tempo todo por e-mail daqui do Brasil me ligou pelo telefone da guia que me atendia lá para dizer que talvez não fosse conseguir passagem de trem para nós para o Tibet que talvez tívessemos que ir de avião, eu bati o pé, o interesse de ir para o Tibet do meu pai era ver a ferrovia, como assim não teria ticket? Bom, não sei se eu fui muito enfática mas ele acabou conseguindo tickets para nós, não de Xi’an para Lhasa como contratado mas de uma cidade outra, Baoji, para Lhasa, o translado de Xi’an até essa cidade foi feito por eles sem qualquer custo para nós, só tivemos que sair de madrugada de Xi’an, sem tomar café, mas o hotel preparou um lanchinho pra gente levar! 😉
Estação de trem em Baoji, indo para Lhasa.

Estação de trem em Baoji, indo para Lhasa.

Ah, teve uma coisa que meu pai não gostou, na hora de pagar os 50% restantes do pacote tivemos que pagar em dinheiro, era uma quantia grande e ter que andar com todo esse dinheiro do banco até o hotel deixou meu pai apreensivo, mas acho que foi excesso de zelo, a cidade estava tomada pelo exército e claro que não aconteceu nada. Tínhamos a opção de pagar com cartão de crédito, mas tinha o acréscimo da taxa do cartão. Se você acha que andar com a bolsa cheia de dinheiro pela cidade vale essa taxa, não passe essa tensão! 😉